Atendimento Pastoral
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Artígos Políticos / Às mulheres, reconhecimento.
08/03/10 12:43

Neste mês, serão noticiadas celebrações em homenagem às mulheres e preciso concordar com o que ouvi em um discurso: toda homenagem é pequena para seres humanos que sintetizam força e amor, paixão pela vida e sensibilidade para com os que estão à sua volta.
Preciso concordar também que um dia é insuficiente para compensar o que as mulheres vem sofrendo numa sociedade em que os homens ditam regras, que nem sempre são as mais justas. Mas sei que este não é o propósito do dia 8 de março. Acredito que essa data, criada em memória de trabalhadoras que lutavam por dignidade e vida melhor, tenha  justamente o significado de servir de reflexão a todos nós.
Em dias normais, as pessoas, homens ou mulheres, nem sempre atribuem valor aos gestos e ao que representam a igualdade de espaço entre os gêneros. Não calculam o que mulheres com espaço, com liberdade de viver, contribuem e acrescentam à nossa sociedade e à vida de todos. É sobre isso que eu quero falar.
As mulheres já demonstraram ao longo da história que são hábeis no que se propõem fazer. Mesmo a Bíblia, a que muitos acusam de machismo, desfila em suas páginas inúmeros exemplos de mulheres que marcaram o meio em que estavam. Há mães, chefes de família, líderes de nações, poetisas, guerreiras. O evangelho é explícito ao se referir às mulheres como fundamentais na formação da Igreja primitiva e da formação cristã da sociedade ocidental.
Em tempos mais recentes, há muito o que citar. Poucos conhecem a história de Marie Curie, polonesa, nascida em 1867, tornou-se uma cientista e recebeu o Nobel de Química por duas vezes. Trabalhando lado a lado com o marido, começou a estudar radiação em diversas substâncias químicas. Quando Pierre Curie a deixou viúva, morrendo em um acidente, Marie deu prosseguimento à obra. Por meio de seu trabalho, foram descobertos o Polônio e o Rádio. O controle do Rádio e seu uso na medicina também são realizações de Marie e imagine quantas vidas não foram salvas pelo processo de diagnóstico que Curie criou! Sua dedicação no trabalho científico  custou-lhe a vida. Ela morreu em 1934, vítima de leucemia, o que se atribui à exposição prolongada  à radiação durante o estudo.
Em outro campo, na ciência política, temos o nome de Hannah Arendt, judia, nascida na Alemanha é considerada pelas ciências humanas uma referência no estudo do totalitarismo. Quando jovem, antes da Segunda Guerra Mundial, ela realizou estudos em teologia e filosofia. Em 1929 publicou sua tese, em que tratava da experiência do Amor na Obra de Santo Agostinho. Mas Arendt enfrentaria o ódio de Hitler e foi em meio ao sofrimento imposto pela perseguição nazista que ela começou a formular a teoria mais aceita pelos estudiosos para "As Origens dos Totalitarismo"
Pensando em alguém mais próxima de nós, lembro-me do que fez Zilda Arns. Médica sanitarista, a brasileira revolucionou o combate a mortalidade infantil com medidas firmes, coordenadas, eficazes. Nesse caso, a medicina foi usada de modo aliado à fé, já que Zilda declarou várias vezes ter sido movida pelo amor a Deus e ao próximo, guiada por um exemplo textual do evangelho em que Jesus conseguiu, por meio de gestos voluntários, alimentar uma multidão faminta. Zilda se encaixa no exemplo da mulher sensível que, levada pelo amor, torna-se materna para os que precisam dela e realiza transformações em torno de si. É também um exemplo de fé prática e dedicada e, para nossa alegria, não está isolada.  
Lembro-me também do exemplo de Madre Tereza de Calcutá. Na biografia consta que aos 12 anos, ao ouvir um missionário falando que "Cada qual em sua vida deve seguir seu próprio caminho", decidiu dar um sentido à sua e a dedicou aos menos favorecidos, na Índia, onde a miséria é gigantesca e as necessidades, extremas. Trabalhou com crianças, ensinando a leitura e hábitos de higiene. Depois, imergiu no cuidado com leprosos e se dedicava a dor dos outros sem abandonar a reflexão sobre a própria fé.
Ainda mais perto de nós, goianos, aponto o exemplo de outra mulher de fé, dedicada a servir ao próximo e a ser instrumento de bençãos as famílias. Falo da Bispa Rúbia de Sousa, que comigo dirige a Igreja  Fonte da Vida. Quem a ouve falar serenamente, mas cheia do Espírito antecipa que está diante de uma mulher virtuosa e sábia, que edifica sua casa e a é exemplo. No entanto, sua história demonstra além disso, coragem, ousadia, amor sem medida ao próximo. Acredito que nem todos saibam, mas logo depois de casar, no momento em que as jovens sonham com a formação da família, com o início da vida a dois, Rúbia abriu o coração para receber em casa, sem muitas condições financeiras, cerca de 10 meninos em condição de risco, que não tinham pra onde ir. Rúbia, grávida de nosso primeiro filho, foi também mãe desses meninos e sua abnegação e altruísmo impactaram a vida daqueles rapazes, concedendo-lhes chance de mudança de história e de futuro melhor. O gesto dessa mulher corajosa foi semente para a criação da Comunidade Evangélica Juvenil Vida Nova que funciona há 25 anos e já atendeu mais de 1500 menores. Rúbia não se apega aos feitos para parar, a Bispa se fortalece e ainda mais vigorosamente se dedica a ser luz e sal na Terra, liderando milhares de famílias em todo o Brasil e também nos países em que a Fonte da Vida marca presença.
São exemplos de mulheres assim que o mundo começa a respeitar, tanto ao ponto de ceder-lhes o comando político. Na Alemanha, vimos Angela MerKel brilhar a frente de uma das nações mais desenvolvidas do planeta. A primeira ministra mantém-se no centro de importantes debates e tem se manifestado em momentos cruciais na política internacional, sendo sempre coerente e honrada. Outra mulher que na política deixou claro a que veio foi a presidente do Chile, Michelle Bachelet. O mandato que começou em 2006 termina com 73% de aprovação popular. Mesmo diante da catástrofe provocada pelo terremoto no Chile, a presidente vem mantido a firmeza, a prontidão e a precisão nas decisões tomadas.
À frente da política internacional norte-americana, Hillary Clinton é outro exemplo claro e inquestionável de que a sensibilidade feminina é eficaz em diversas questões em que a masculinidade nem sempre funciona.
Em ano eleitoral, o Brasil tem a chance de também ter uma mulher presidente. Duas já se posicionaram: Dilma Roussef e Marina Silva deram o passo a frente e estão dispostas a enfrentar o desafio. Ambas são mulheres afeitas a luta, acostumadas com as dificuldades para provar talentos e capacidades. Ambas reúnem qualidades de quem se superou, de quem sobrepujou os obstáculos. As duas podem ser excelentes opções para que o Brasil experimente finalmente o governo feminino.
Muito embora, não é preciso ocupar a cadeira para deixar sua assinatura nas páginas da história. Outra Michelle, dessa vez a Obama, vem dando exemplo no sentido de que é ativa e participa de quase toda a totalidade das ações políticas do marido. Talvez por isso seja querida e estimada por 8 entre cada 10 americanos, sendo, de acordo com uma pesquisa do Centro Prev, ela é mais popular que o marido.  Bom que as mulheres genuinamente conscientes de seu papel e força, de sua capacidade e virtudes entendem que não estamos aqui, homens e mulheres, para competir, e sim para nos unirmos e crescermos juntos na direção de um mundo melhor, mais justo, mais igualitário.

César Augusto Machado de Sousa é Apóstolo, Escritor, Radialista, e Presidente da Igreja Apostólica Fonte da Vida. Escreve todas as terças-feiras para o DM. E-mail apostolo@fontedavida.com.br

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